NOTAS DA REPÚBLICA PORTUGUESA

NOTAS DA REPÚBLICA PORTUGUESA

sábado, 18 de setembro de 2010

100 Escudos --- Chapa 7 --- Ouro



Dimensões: 149 x 74 mm incluindo as respectivas margens.
Emissões: 30 de Novembro de 1965
                20 de Setembro de 1978
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Primeira emissão, 29 de Abril de 1968.
Ultima emissão, 18 de fevereiro de 1981
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A frente desta nota é ilustrada pelo retrato do romancista Camilo Castelo Branco. No verso, uma vista da cidade do Porto.
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12 Notas de 100 Escudos --- Chapa 7 
12 Assinaturas diferentes

Estado de conservação: Quase Novas, apenas uma ligeira "dobra" central.
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Camilo Castelo Branco
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
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Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Lisboa, 16 de Março de 1825 — São Miguel de Seide, 1 de Junho de 1890) foi um escritor português. Camilo foi romancista português, além de cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor.

Teve uma vida atribulada que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para um público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu ter uma escrita muito original.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bandeira de Portugal


A Bandeira de Portugal é um dos símbolos nacionais. O modelo da actual bandeira foi aprovado por decreto no. 141 da Assembleia Nacional Constituinte de 19 de Junho de 1911, após ser selecionado, entre várias propostas, por uma comissão cujos membros incluíam Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Abel Botelho, sendo as suas dimensões e descrição mais pormenorizada, definidas pelo decreto de 30 de Junho de 1911. No entanto, já desde a proclamaçâo da República Portuguesa, a 5 de Outubro de 1910 que eram usadas bandeiras provisórias semelhantes ao modelo que viria a ser aprovado oficialmente.

Características
De acordo com o Decreto nº 150, de 30 de Junho de 1911, a Bandeira de Portugal é um retângulo bipartido verticalmente em duas cores fundamentais, verde escuro e escarlate, ficando o verde para o lado da tralha (lado esquerdo, quando representada graficamente). Ao centro, e sobreposto à união das duas cores, terá o escudo das Armas de Portugal, orlado de branco e assentando sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro. O comprimento da Bandeira de Portugal é uma vez e meia a altura da tralha (proporções: 2:3). A divisória entre as duas cores fundamentais é feita de modo a que fiquem 2/5 do comprimento total ocupados pelo verde e os 3/5 restantes pelo vermelho. O emblema central ocupa metade da altura da tralha, ficando equidistante das orlas superior e inferior.

As cores, especialmente o verde, não eram tradicionais na composição da bandeira e representou uma mudança radical de inspiração republicana que rompeu o vínculo que sempre estiveram estreitamente associados com as armas reais. Desde a insurreição republicana falhada em, 31 de Janeiro, 1891 o vermelho e verde tinha sido associados como as cores do Partido republicano Português e os seus movimentos associados, cuja proeminência política continuou crescendo até atingir um período de auge na sequência da revolução republicana de 5 de outubro de 1910. Nas décadas seguintes, essas cores eram popularmente propagandeada como representando a esperança da nação (verde) e sangue (vermelho) daqueles que morreram em sua defesa, de forma patriótica. As cores da bandeira não estão especificadas com exactidão em nenhum documento oficial.
Concepção atual do escudo Português. Desde 1143, é exibido na bandeira nacional, com diferentes formatos e complexidade.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

domingo, 12 de setembro de 2010

A Revolução Republicana de 1910


Como se fez a revolução (Mantido o texto original)
Fonte: Eu Sei Tudo - Outubro de 1918 (oito anos após o facto histórico)

O Sr. José Relvas, fazendo a proclamação da Republica das janellas da Camara Municipal de Lisboa no dia 5 de outubro de 1910.


"Narremos resumidamente como se fez a revolução. O movimento começou pouco depois da 1 hora da manhã de ante-hontem, pela sublevação do regimento de infantaria 16. O povo entrou no quartel e sahiu acompanhando os soldados até Campolide, onde a artilharia 1 adheriu aos revoltosos. D´ahi dirigiram-se estes para a Rotunda. Entretanto revoltavam-se as guarnições dos navios de guerra.

A´s 10 horas mandaram os revoltosos da Rotunda uma vedêta á Praça dos Restauradores, propondo ás tropas fieis que se rendessem, pois em caso contrario a artilharia descarregava sobre ellas. A proposta não foi acceita; a vedêta voltou á Rotunda.

Logo que alli chegou, iniciaram os revoltosos um mortifero tiroteiro, que victimou dezenas de soldados fieis.

As carroças de pão e leite que passavam na Rotunda eram obrigadas a descarregar os referidos generos, afim de serem augmentadas as provisões de bocca dos revoltosos.

No acampamento d´estes distribuiram-se armas e munições aos populares que as requisitavam. Cada um que o fazia era equipado com uma carabina, um revólver e um punhal.

As baterias de Queluz, que de tarde vieram em soccorro das forças fieis, foram derrotadas. O combate prolongou-se pela noute adeante.

As tropas monarchicas renderam-se ás oito, e meia da manhã de hontem.

A´s 9 horas foi proclamada a Republica na Camara Municipal.

O EMBARQUE. No dia da proclamação da Republica um fragil batel levava da praia da Ericeira para bordo do "yacht Amelia" a familia real portugueza que encontrava um refugio n´aquellas pobres taboas d´um barco tripulado por descendentes dos marinheiros da descoberta e que por sua vez entravam na Historia.


O barco "Bomfim", que levou o rei D. Manuel da praia da Ericeira para o navio do exilio


OS MARINHEIROS DO BARCO "BOMFIM" NO QUAL O REI D. MANUEL FOI PARA BORDO DO YACHT " D.AMELIA"
Da esquerda para a direita: Arraes João Carriço, remadores José Ramalho, Antonio Maria Pachita, José Sardo, Jeronimo Carramona, Basilio Casado Junior e Antonio Marques.


Uma photographia de inestimavel valor
NA PRAIA DA ERICEIRA EM 5 DE OUTUBRO, DIA DA PROCLAMAÇÃO DA REPUBLICA

A chegada da familia real, a sua comitiva ae varias pessoas ue a acompanharam até o momento do embarque nas canoas dos pescadores. A´frente do grupo: a rainha D. Maria Pia pelo braço do sr. conde de Mesquitella; senhoras das familias Castro Pereira, e Nuno Pombal, srs. Serrão Franco, conde de Marim, rainha D. Amelia, conde de Sabugosa, D. Manuel II, D. Maria Francisca de Menezes, os srs. José de Mello (Sabugosa), Waddington, tenente Feijó Teixeira, marquez de Fayal, Vellez Caldeira, condessa de Figueiró, marqueza d´Unhão e duas criadas. O criado particular do rei deposto, sr. Kukembuck Villar, estava em Caxias quando começou o bombardeio no palacio das Necessidades e correu a apresentar-se a D. Manuel II, que o levou comsigo para o exilio.


O aspecto da cidade

Impossivel é descrever o aspecto de Lisboa desde o inicio da revolução. Tentemos, porém, reproduzir a impressão que nos causou o que vimos.

Na madrugada do dia 4, as ruas estavam quasi desertas, e os poucos que as atravessavam faziam n´o apressados, interrogando um e outro sobre o que se passava, emquanto lá longe, no rio, troava a artilharia, e lá em cima, em Campo d´Ourique e em Campolide soavam as descargas de fusilaria.

A´s 3 horas o fogo abrandou um pouco: - as tropas avançavam para a Rotunda.

A´s 5 horas e meia recomeçou o tiroteio. Na Avenida e em S. Pedro d´Alcantara travaram-se verdadeiras batalhas entre os revoltosos e a municipal.

A ´s 7 horas apresentava o Chiado um aspecto tragico. Não circulavam trens nem automoveis, e viam-se pouquissimas pessoas que buscavam noticias.

Começaram a saber se as primeira novidades. Os navios de guerra estavam revoltados e tinham hasteado, á excepção do D. Carlos, bandeiras republicanas.

Durante o dia o movimento não augmentou, e o aspecto da cidade tornava-se momento a momento mais tragico, emquanto a artilharia continuava troando, e a infantaria e o povo descarregavam sobre as tropas fieis que atacavam os revoltosos.

Perto das 5, quando se travou a batalha entre artilharia 1 e as baterias de Queluz, e os navios bombardearam o Palacio das Necessidades, todos se sentiam num campo de batalha, em que num momento podiam ser victimados.

Assim era realmente. A metralha atravessava toda a cidade.

Cahiu a noute. Houve um momento de socego. Perto das 10 da noute, o fogo recomeçou. As ruas estavam desertas. Só nos locaes do combate as tropas e os populares se batiam com denodo.

De manhã, ás oito horas, renderam-se as primeiras tropas. A´s 8 1/2 era arvorada a bandeira verde e vermelha no Castello e no Carmo.

Os navios de guerra deram uma salva de 21 tiros.

As ruas começaram a animar se. Percorriam-nas grupos de militares e paisanos armados dando vivas e palmas. Descemos até a BAixa. As granadas dos navios haviam deteriorado muitos predios. No pavimento havia algumas poças de sangue. No Rocio viam se em varios locaes destroços da batalha. As ambulancias da Cruz Vermelha cruzavam-se, acclamadas pela multidão.

Entrámos na Avenida. Ahi causara o con bate prejuizos maiores do que em parte alguma. Os candieiros da illuminação estavam partidos, postes de electricos e ramos de arvores jaziam por terra, as balas haviam feito brechas em muitos predios.

Pela rua central e pelas lateraes subiam grupos de populares empunhando bandeiras: - iam visitar o acampamento dos revoltosos.

Mas eis que da Rotunda dão por engano uma descarga. Os populares inermes e as mulheres fogem.

Grupos de militares e civis armados correm para a Rotunda - peito exposto ás balas. A fuzilaria cessa. Havia tres mortos e dezenas de feridos.

Durante todo o dia atravessaram a cidade grupos de revolucionarios paisanos armados e militares manifestando o seu regosijo. Gente desarmada quasi a não havia, vehiculos poucos transitavam e as lojas permaneciam fechadas.

Frente occidental da barricada armada por populares na Avenida da Liberdade


O sr. Antonio José d´Almeida, primitivo ministro do interior da Republica, chegando para tomar posse do Palacio Real das Necessidades



Uma das janellas do palacio das Necessidades estilhaçadas pelas balas dos navios revoltados

A´s duas horas foi distribuida uma proclamação do sr. dr. Eusebio Leão, governador civil de Lisboa, aconselhando ordem e respeito pelas pessoas e pela propriedade.

Pouco depois o ministro do interior dr. Antonio José d´Almeida atrvessou as ruas discursando e fazendo o povo jurar que se manteria tranquillo.

A´s 3 horas começaram as prisões.Era emocionante o espectaculo da passagem das escoltas de civis e militares através das ruas da cidade, em que todas as lojas estavam fechadas, onde ás janellas appareciam mulheres, tendo estampada ainda no rosto a angustia das noutes da Revolução.

A´noute começou rareando o movimento de revoltosos. Todos se haviam concentrado na Rotunda e suas immediações esperando um ataque annunciado de forças monarchicas commandadas pelo capitão de artilharia sr. Paiva Conceiro.

Alli passaram a noute, immersos em funda escuridão, pois apagaram as luzes dos candieiros da Rotunda e da Avenida, para tornarem mais difficil o podere-nós visar.

O inimigo não veio, e esta manhã muitos revoltosos voltaram para a baixa, prendendo então muitos policiais da judiciaria que eram conduzidos ao governo civil. Mais movimentada estava já então a cidade.

Ao meio dia foi estabelecido o policiamento feito por praças do exercito e estudantes militares. Deixaram então de circular os batalhões de paisanos marchando á vontade, e as ruas passaram a apresentar um aspecto menos ordeiro.


A fuga da familia real

Sobre esse doloroso incidente a illustração Portuguesa da semana seguinte publicou, com as photographias que reproduzimos, as seguintes linhas:

"A familia real estava na praia da Ericeira para embarcar na tarde de 5 de Outubro. Um piquete de cavallaria separava-a do povo que enchia o topo das ribas; os dignatarios, os ultimos fieis, acompanhavam os seus passos difficeis dobre a areia, senhoras de familias fidalgas seguiam n´uma desolação aquelle exodo da realeza e os pescadores, contractados de ha pouco, preparavam com vagares enervantes os barcos Navegador e Bomfim que a deviam levar a bordo do Amelia. Ninguem fallava; entrara nos cerebros a comprehensão do irremediavel. O rei, deposto n´essa manhã pela proclamação da republica, olhava tristemente o mar; a figura alta da rainha mãe destacava entre a sua derradeira côrte; D. Maria Pia guardava no seu rosto enrugado como um vislumbre da sua decisão de ha pouco no paço de Mafra ao dizer, como outr´ora D. Maria I, que não queria fugir. Pelas 3 horas começou o embarque; entraram núm barco o rei com os seus dignatarios n´outro as rainhas com o sequito, um remador da alfandega e o capitão do porto, sr. Bensabat.

Na praia o circulo limitado dos fieis dizia compungido os ultimos adeus. De bordo não se voltavam; os barcos vogavam na mancha loira do lindo sol que dourav a as aguas n´essa primeira tarde da republica. Por fim chegaram ao Amelia que não fundeara; o rei encostou se ao hombro d´um marinheiro, deu a mão a um arraes que saltara para a escada do portaló e d´ahi a pouco cahia nos braços de seu tio D. Afonso que o aguardava lá em cima. As rainhas tinham chegado tambem ao tombadilho, e quando o capitão do porto quiz entrar no barco real, D. Amelia exclamou: "Não. Não entras. Por tua causa e dos teus companheiros é que nós estamos aqui!"

O official desceu. Dentro em pouco o Amelia partia levando para o exilio o rei Manuel II pelas mesmas aguaes out´ora sulcadas pelos galeões de Manuel I, o Afortunado.

sábado, 11 de setembro de 2010

500 Escudos Chapa 12: Mouzinho da Silveira


A frente desta nota é ilustrada com a efígie de Mouzinho da Silveira, com fundo decorativo baseado em espigas de trigo e cardos. Na parte central, uma composição circular que apresenta uma árvore e um arado tradicional.


Notas NOVAS






Nota 500 escudos - Efígie: Mouzinho da Silveira (chapa 12)

Entrada em circulação: 21/11/1988

Retirada de circulação: 30/04/1998

Prescrição: 01/05/2018

sábado, 29 de maio de 2010

HISTÓRIA DE ARTUR VIRGÍLIO ALVES DOS REIS - O MAIOR BURLÃO PORTUGUÊS



Artur Virgílio Alves dos Reis (Lisboa, 3 de Setembro de 1898 — 9 de Julho de 1955) foi certamente o maior burlão da história portuguesa e possivelmente um dos maiores do Mundo. Foi o cabecilha da maior falsificação de notas de banco da História: as notas de 500 escudos, efígie Vasco da Gama, em 1925.

Filho de uma família modesta - o pai era cangalheiro, tinha problemas financeiros e acabou por ser declarado insolvente - Alves dos Reis quis estudar engenharia. Efectivamente, começou o primeiro ano do curso, mas abandonou-o para casar com Maria Luísa Jacobetti de Azevedo, no mesmo ano em que a casa comercial do pai faliu. Em 1916, emigrou para Angola, para tentar fazer fortuna e assim escapar às humilhações que lhe eram impostas pela abastada família de Luísa, devido à diferença de condição social. Começa como funcionário público nas obras públicas de esgotos.

Em Angola, fez-se passar por engenheiro, depois de ter falsificado diplomas de Oxford, aliás de uma escola politécnica de engenharia que nem sequer existia: a Polytechnic School of Engineering.

De acordo com esse diploma falsificado, teria estudos de ciência da engenharia, geologia, geometria, física, metalurgia, matemática pura, paleografia, engenharia eléctrica e mecânica, mecânica e física aplicadas, engenharia civil geral, engenharia civil e mecânica, engenharia geral, design mecânico e civil. Ou seja, quase tudo...

Com um cheque sem cobertura, comprou a maioria das acções da companhia dos Caminhos de Ferro Transafricanos de Angola, em Moçâmedes. Tornou-se rico e ganhou prestígio.

De volta a Lisboa, em 1922, compra uma empresa de revenda de automóveis americanos. Depois tenta apoderar-se da Companhia Ambaca. Para o conseguir, passou cheques sem cobertura e usou depois o dinheiro da própria Ambaca para cobrir os cheques sobre a sua conta pessoal. No total, apropriou-se ilegitimamente de 100 mil dólares americanos. Com esse dinheiro comprou também a Companhia Mineira do Sul de Angola. No entanto, antes de controlar toda a Ambaca, foi descoberto e preso no Porto, em Julho de 1924, por desfalque. Foi acusado também de tráfico de armas.

Foi durante o tempo da prisão — só esteve preso 54 dias e foi libertado em 27 de Agosto de 1924 por pormenores processuais — que concebeu o seu plano mais ousado. A sua ideia era falsificar um contrato em nome do Banco de Portugal – o banco central emissor de moeda, e que na altura era uma instituição parcialmente privada – que lhe permitiria obter notas ilegítimas mas impressas numa empresa legítima e com a mesma qualidade das verdadeiras.

Em 1924, Alves dos Reis contactou vários cúmplices e outros colaboradores de boa-fé para pôr os seu plano em marcha. Entre os seus cúmplices e colaboradores encontrava-se o financeiro holandês Karel Marang van Ijsselveere; Adolph Hennies, um espião alemão; Adriano Silva; Moura Coutinho; Manuel Roquette e especialmente José Bandeira. Um pormenor importante era que José Bandeira era irmão de António Bandeira, o embaixador português na Haia.

Alves dos Reis preparou um contrato fictício e conseguiu que este contrato fosse reconhecido notarialmente. Através de José Bandeira, obteve também a assinatura de António Bandeira. Conseguiu ainda que o seu contrato fosse validado pelos consulados da Inglaterra, da Alemanha e França. Traduziu o contrato em francês e falsificou assinaturas da administração do Banco de Portugal.

Através de Karel Marang, dirigiu-se a uma empresa de papel-moeda holandesa, mas esta remeteu-os para a empresa britânica Waterlow and Sons Limited de Londres, que era efectivamente a casa impressora do Banco de Portugal. Em 4 de Dezembro de 1924, Marang explicou a sir William Waterlow, que por razões políticas, todos os contactos ligados à impressão das novas notas deveriam ser feitos com a maior das descrições. O alegado objectivo das notas era conceder um grande empréstimo para o desenvolvimento de Angola. Cartas do Banco de Portugal para a Waterlow and Sons Limited foram também falsificadas por Alves dos Reis. William Waterlow escreveu uma carta confidencial ao governador do Banco de Portugal, Inocêncio Camacho Rodrigues em que referia os contactos com Marang. Mas, aparentemente, a carta extraviou-se.

No caderno de encargos de impressão das notas, estipulava-se que estas viriam a ter posteriormente a sobrecarga Angola dado que, como se disse acima, alegadamente se destinariam a circular aí. Por essa razão, as notas tinham números de série de notas já em circulação em Portugal.

Waterlow and Sons Limited imprimiu assim 200 mil notas de valor nominal 500 escudos (no total quase 1% do PIB português de então), efígie Vasco da Gama chapa 2, com a data de 17 de Novembro de 1922. O número total de notas falsas de 500 escudos era quase tão elevado como o de notas legítimas. A primeira entrega teve lugar em Fevereiro de 1925, curiosamente cerca de um ano depois das notas verdadeiras de 500 escudos, efígie Vasco da Gama terem começado a circular. As notas passavam de Inglaterra a Portugal, com a ajuda dos seus cúmplices, José Bandeira, que utilizava as vantagens diplomáticas de seu irmão, Karel Marang e ligações ao cônsul da Libéria em Londres.

Alves dos Reis, embora o mentor da fraude e o falsificador de todos os documentos ficava só com 25% das notas. Ainda assim, com esse dinheiro fundou o Banco de Angola e Metrópole em Junho de 1925. Para obter o alvará de abertura deste banco, recorreu também a diversas outras falsificações. Investiu na bolsa de valores e no mercado de câmbios.

Comprou também o Palácio do Menino de Ouro (actualmente o edifício em Lisboa do British Council) ao milionário Luís Fernandes. Adquiriu três quintas e uma frota de táxis. Além disso teria gasto uma avultadíssima soma em jóias e roupas caras para a sua mulher, e para a sua amante, Fie Carelsen, uma actriz holandesa. Tentou também comprar o Diário de Notícias.


O objectivo de Alves dos Reis era afinal comprar acções, e conseguir controlar, o próprio Banco de Portugal, de forma a cobrir as falsificações e abafar qualquer investigação. Durante o Verão de 1925, directamente, ou através do cônsul da Venezuela em Lisboa, Simon Plancez-Suarez, comprou 7000 acções do Banco de Portugal. No final de Setembro já tinha 9000, e no final de Novembro 10000. Seriam necessárias 45000 acções para controlar o banco central.

Ao longo de 1925, começaram a surgir rumores de notas falsas, mas os especialistas de contrafacção dos bancos não detectaram nenhuma nota que parecesse falsa. A partir de 23 de Novembro de 1925, Alves dos Reis e os negócios pouco transparentes do Banco de Angola e Metrópole começam a atrair a curiosidade dos jornalistas de O Século – o mais importante diário português de então.

O que os jornalistas tentavam perceber era como era possível que o Banco de Angola e Metrópole concedesse empréstimos a taxas de juro baixas, sem precisar de receber depósitos. Inicialmente, pensou-se que se tratava de uma táctica alemã — para perturbar o país e obter vantagens junto da colónia angolana.

A burla é publicamente revelada em 5 de Dezembro de 1925 nas páginas de O Século. Alguns dias antes, um funcionário de um banco no Porto apercebeu-se que tinham em caixa duas notas aparentemente genuínas, mas com o mesmo número de série. A informação foi passada ao Banco de Portugal. Como são dadas instruções para que as agências bancárias ponham as notas em cofre por ordem de número, para controlar duplicações, muitas mais notas com números repetidos apareceram.

O património do Banco de Angola e Metrópole foi confiscado e obtidas provas junto da Waterlow and Sons Limited. Alves dos Reis é preso a 6 de Dezembro, quando já se encontrava a bordo ao tentar fugir para Angola. Tinha 28 anos no momento da prisão.

A maior parte dos seus associados são presos também. Karel Marang e Adolph Hennies escaparam e saíram de Portugal.

Alves dos Reis esteve preso 108 dias esperando por julgamento. Durante esse tempo, falsificou outros documentos com os quais conseguiu convencer os juízes que a própria administração do Banco de Portugal estava implicada na fraude. Em consequência disso, o julgamento esteve suspenso cinco anos.

Foi finalmente julgado no Porto, em Maio de 1930, e condenado a 20 anos: 8 de prisão e 20 de degredo. Durante o julgamento, alegou que o seu objectivo era simplesmente desenvolver Angola. Na prisão, converteu-se ao protestantismo. Foi libertado em Maio de 1945. Foi-lhe oferecido um emprego de empregado bancário; recusou. Morreu de ataque cardíaco em Julho de 1955, pobre.

José Bandeira teve idêntica condenação. Morreu em 1957, sem fortuna. Hennies fugiu para Alemanha. Reapareceu mais tarde, sob o seu verdadeiro nome, Hans Döring. Morreu em 1957, sem fortuna. Karel Marang foi preso e julgado na sua Holanda natal, mas sentenciado a 11 meses de cadeia. Posteriormente, naturalizou-se francês e terminou os seus dias, muito rico, em Cannes.

O escudo, a moeda portuguesa, teve perturbações cambiais e perdeu muito da sua credibilidade. As notas de 500 escudos começaram a ser retiradas de circulação a 7 de Dezembro de 1925.

A 6 de Dezembro, o Banco de Portugal ordenou a retirada de circulação de todas as notas de 500 escudos. Inicialmente a troca das notas foi autorizada até 26 de Dezembro. Durante estes 20 dias, saíram de circulação 115 000 notas legítimas ou não. No entanto, em Abril de 1932, o Banco de Portugal determinou que fossem abonadas aos portadores de reconhecida boa fé as notas de 500 escudos (...), quer sejam autênticas, quer façam parte das que foram entregues por Waterlow & Sons a Marang e seus cúmplices. Isso implicou um enorme prejuízo para o Banco Central.

Na verdade, um pequeno grupo de notas – a que se veio a chamar notas camarão – foram recusadas para troca pelo Banco de Portugal. O nome provinha de terem sido banhadas numa solução de ácido cítrico, com o objectivo de as livrar do cheiro de tinta fresca. O resultado foi uma ligeira descoloração, resultando numa cor semelhante ao daquele marisco.

De acordo com a lei portuguesa, as notas retirada de circulação em 1925 puderam ser trocadas no Banco de Portugal até 1995. Naturalmente que esta prescrição, não era relevante dado que o valor de colecção das notas (legítimas e falsas) a partir dos anos 50 passou a ser muito superior ao seu valor facial.

A fraude criou uma enorme crise de confiança na população em relação aos poderes públicos. Embora os desenvolvimentos desse período sejam complexos, essa crise pode ter facilitado a revolução de 28 de Maio de 1926, que derrubou o presidente da República, Bernardino Machado, e deu origem à ditadura, e a partir de 1932, ao Estado Novo de Salazar.
O Banco de Portugal processou a Waterlow & Sons nos tribunais londrinos: um dos mais complexos casos da historia judiciária britânica até então. Sir William Waterlow foi demitido de presidente da casa impressora em Julho de 1927. Em 1929, foi eleito presidente da câmara (mayor) de Londres, mas morreu de peritonite antes da decisão judicial. O caso foi resolvido em 28 de Abril de 1932. A Waterlow & Sons pagou uma indemnização ao Banco de Portugal e faliu.


Fonte: Wikipedia e http://www.radiocb.com/

Nota: Apenas para se ter uma ideia do valor que as notas de 500 Escudos Alves dos reis têm para o colecccionismo, clique AQUI

sábado, 3 de abril de 2010

2 Notas 500 Escudos Ch 11 e Ch. 12

Duas Notas da República Portuguesas - Rigorosamente NOVAS!

Francisco Sanches, filósofo e médico (1550 ou 1551-1623)

Ch.11 - Francisco Sanches
Lisboa, 4 de Outubro de 1979

Ch.12 - Mouzinho da Siveira
Lisboa 4 de Novembro de 1993


quarta-feira, 24 de março de 2010

2 x 500 Escudos / Mouzinho da Silveira & Francisco Sanches

Duas Notas da República Portuguesas - Rigorosamente NOVAS!

Francisco Sanches, filósofo e médico (1550 ou 1551-1623)


Mouzinho da Silveira, um liberalista, foi estadista, jurisconsultor e político, foi uma pessoa muito importante para a revolução liberal,  foi Ministro de D. Maria II, nasceu a 12 de Junho de 1780 e morreu  em Lisboa,a 4 de Abril de 1849.