NOTAS DA REPÚBLICA PORTUGUESA

NOTAS DA REPÚBLICA PORTUGUESA

sábado, 9 de outubro de 2010

50 Escudos -- Chapa 8 -- Ouro


Serie Seguida 2 x 50 Escudos Ch. 8
(Rigorosamenre NOVAS)

Dimensões: 142 x 70 mm incluíndo as respectivas margens.
Emissões: 130.383.000 notas com a seguinte data:
                  28 de Fevereiro de 1964
Primeira emissão: 21 Julho de 1965
Última emissão: 11 de Maio de 1979
Cor: Castanho-avermelhado

A frente desta nota é ilustrada com a efígie da rainha Santa Isabel.
No verso, temos a ilustração de uma vista da cidade de Coimbra.


Santa Isabel de Aragão, Rainha de Portugal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

Isabel de Aragão nasceu em Zaragoça no ano cerca 1270 --- faleceu em Estremoz a 4 de Julho do ano 1936 --- foi uma infanta aragonesa e, de 1282 até 1325, rainha consorte de Portugal. Passou à história com a fama de Santa, tendo sido beatificada e, posteriormente, canonizada. Ficou popularmente conhecida como Rainha Santa Isabel ou, simplesmente, A Rainha Santa.

4 Notas 50 Esc. com assinaturas diferentes
(Rigorosamente NOVAS)

Origens
Isabel era a filha mais velha do rei Pedro III de Aragão com Constança da Sicília. Por via materna, era descendente de Frederico II, Sacro Imperador Romano-Germânico, pois o seu avô materno era Manfredo de Hohhenstauffen, rei da Sicília, filho de Frederico II.


Teve cinco irmãos, entre os quais os reis aragoneses Afonso III e Jaime II, para além de outro monarca reinante, Frederico II da Sicília. Para além disso, uma sua tia materna foi Santa Isabel da Hungria, também considerada santa pela Igreja Católica.

 
Universidade de Coimbra Séc. XIII
A Universidade de Coimbra, sediada na própria cidade que lhe dá o nome, é a mais antiga Universidade de Portugal. Esta instituição é uma das maiores do país, remonta ao Séc. seguinte ao da própria fundação da nação portuguesa, dado que foi criada no século XIII, em 1290, mais especificamente no dia 1 de Março desse mesmo ano, quando foi assinado em Leiria  por D. Dinis, o documento Scientiae thesaurus mirabilis, que deu origem à criação da própria Universidade e pediu ao Papa a confirmação.

2 x 50 Esc. - Lisboa, 28 de Fevereiro de 1964
(Rigorosamente NOVAS)


Casamento
D. Dinis I de Portugal tinha 19 anos quando subiu ao trono e, pensando em casamento, convinha-lhe Isabel de Aragão, assim D. Dinis enviou, por isso, uma embaixada a Pedro de Aragão em 1280. Formavam-na João Velho, João Martins e Vasco Pires. Quando lá chegaram, estavam ainda à espera de resposta enviados dos reis de França e de Inglaterra, cada um desejoso de casar com Isabel um dos seus filhos. Aragão preferiu entre os pretendentes aquele que já era rei.


A 11 de Fevereiro de 1282 com 12 anos , Isabel casou-se, então, por procuração com o soberano português D. Dinis em Barcelona, tendo celebrado a boda ao passar a fronteira da Beira, em Trancoso, em 26 de Junho do mesmo ano. Por esse motivo, o rei acrescentou essa vila ao dote que habitualmente era entregue às rainhas (a chamada Casa das Rainhas, conjunto de senhorios a partir dos quais as consortes dos reis portugueses colhiam as prendas destinadas à manutenção da sua pessoa.

Em 1281 D. Isabel de Aragão recebeu como dote as vilas de Abrantes, Óbidos, Alenquer, e Porto de Mós. Posteriormente deteve ainda os castelos de Vila Viçosa, Monforte, Sintra, Ourém, Feira, Gaia, Lamoso, Nóbrega, Santo Estêvão de Chaves, Monforte de Rio Livre, Portel e Montalegre, para além de rendas em numerário e das vilas de Leiria e Arruda (1300), Torres Novas (1304) e Atouguia da Baleia (1307). Eram ainda seus os reguengos de Gondomar, Rebordões, Codões, para além de uma quinta em Torres Vedras e da lezíria da Atalaia.

Segundo uma história apócrifa, D. Dinis não lhe teria sido inteiramente devotado e visitaria damas nobres na região de Odivelas. Ao saber do sucedido, a rainha ter-lhe-á apenas respondido: Ide vê-las, Senhor. Com os tempos, de acordo com a tradição popular, uma corruptela de ide vê-las teria originado o moderno topónimo Odivelas. Contudo, esta interpretação não é sustentada pelos linguistas.

Do seu casamento com o rei D. Dinis teve dois filhos:

• Constança (3 de Janeiro de 1290 - 18 de Novembro de 1313), que casou em 1302 com o rei Fernando IV de Castela.

• D. Afonso IV (8 de Fevereiro de 1291 - 28 de Maio de 1357), sucessor do pai no trono de Portugal


Falecimento e legado
Isabel faleceu, tocada pela peste, em Estremoz, a 4 de Julho de 1336, tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, onde em 1995 foi iniciada uma escavação arqueológica, após ter estado por 400 anos parcialmente submerso pelo rio Mondego.

Segundo uma história hagiográfica, sendo a viagem demorada, havia o receio de o cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que se fazia, e conta-se que a meio da viagem debaixo de um calor abrasador o ataúde começou a abrir fendas, pelas quais elas escorria um líquido, que todos supuseram provir da decomposição cadavérica. Qual não foi, porém a surpresa quando notaram que em vez do mau cheiro esperado, saía um aroma suavíssimo do ataúde. O seu esposo D. Dinis repousa no Mosteiro de São Dinis em Odivelas
Isabel terá sido uma rainha muito piedosa, passando grande parte do seu tempo em oração e ajuda aos pobres. Por isso mesmo, ainda em vida começou a gozar da reputação de santa, tendo esta fama aumentado após a sua morte. Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia filipina, que colocou grande empenho na sua santificação, pelo Papa Urbano VIII em 1625. É reverenciada a 4 de Julho, data do seu falecimento.

Com a invasão progressiva do convento de Santa Clara-a-Velha de Coimbra pelas águas do rio Mondego, houve necessidade de construir o novo convento de Santa-Clara-a-Nova no século XVII, para onde se procedeu à transladação do corpo da Rainha Santa. O seu corpo encontra-se incorrupto no túmulo de prata e cristal, mandado fazer depois da trasladação para Santa Clara-a-Nova.


A lenda do milagre das rosas

Estátua da Rainha Santa Isabel na igreja do Palácio Nacional de Mafra
A história mais popular da Rainha Santa Isabel é sem dúvida a do milagre das rosas. No entanto, este milagre foi originalmente atribuído à sua tia-avó Santa Isabel da Hungria. Provavelmente por corrupção da lenda original, e pelo facto de as duas rainhas possuírem o mesmo nome e fama de santas, a história passou também a ser atribuída a Isabel de Aragão.

Segundo a lenda portuguesa, a rainha saiu do Castelo do Sabugal numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desfavorecidos. Surpreendida pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha teria exclamado: São rosas, Senhor!. Desconfiado, D. Dinis inquirido: Rosas, no Inverno?. D. Isabel expôs então o conteúdo do regaço do seu vestido e nele haviam rosas, ao invés dos pães que ocultara.

A época exacta do aparecimento desta lenda na tradição portuguesa não está determinada. Não consta de uma biografia anónima sobre a rainha escrita no século XIV, mas circularia oralmente pelo país nas últimas décadas desse século. O mais antigo registo conhecido é um retábulo quatrocentista conservado no Museu Nacional de Arte da Catalunha.



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Presidentes I República e II República


Primeira República - 1911 - 1926

A República Velha
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
   1°         Manuel J.          Partido                    24.08.1911
               de Arriaga         Republicano            26.05.1915
   2°        Teófilo               Partido                   29.05.1915
               Braga                Democrático           05.08.1915
   3°        Bernardino         Partido                   06.08.1915
               Machado           Democrático            05.12.1917

A República Nova
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
    4°           Sidónio          Partido Nacional      28.04.1918  
                    Pais                Republicano         14.12.1918
   

A Nova República Velha 
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
   5°           João Canto      Partido Nacional      16.12.1918
                  e Castro            Republicano         05.10.1919
   6°          António J.         Partido Repub.       05.10.1919
                de Almeida         Evolucionista         05.10.1923
   7°          Manuel T.             Partido               06.10.1923
                 Gomes             Democrático          11.12.1925
   8°         Bernardino             Partido              11.12.1925
                Machado           Democrático           31.05.1926


II República: Ditadura Militar
(1926-1933) e o Estado Novo ( 1933-1974)

A Ditadura Militar
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
     9°           Mendes            Nenhum               31.05.1926
                 Cabeçadas                                     17.06.1926
    10°        Gomes da           Nenhum              17.06.1926
                    Costa                                        09.07.1926


Estado Novo
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
   11°            Óscar           a partir de 1932      16.11.1926
                  Carmona         União Nacional       18.04.1951
  .....           Oliveira              União                 18.04.1951
                  Salazar             Nacional              21.07.1951
   12°         Craveiro              União                21.07.1951
                   Lopes             Nacional               09.08.1958
   13°         Américo          U. Nacional             09.08.1958
                  Tomás  A partir 1968 Acçâo N. Popular     25.04.1974

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dia 5 de Outubro de 1910 - Hoje faz 100 anos


Hino Nacional - Antes e Depois da Implantação da República a 5 de Outubro de 1910





Centenário da Implantação da República - Revolta de 31 de Janeiro


Diário da República: A revolução de 1910
Por volta das 9 horas da manhã do dia 5 de Outubro, Eusébio Leão, na companhia de quase todo o Directório do Partido Republicano, assomou na varanda da Câmara Municipal de Lisboa para anunciar solenemente à multidão que estava implantada a República em Portugal e, portanto, abolida a Monarquia e proscrita para sempre a Casa de Bragança. Nessa tarde, enquanto a vitória do novo regime era comunicada por telégrafo de Lisboa a outras cidades e à província, o rei D. Manuel II e a família real embarcavam na Ericeira a caminho do exílio.

A maioria das análises sobre o 5 de Outubro mostra que não foi uma revolução de massas, nem mesmo um golpe militar solidamente organizado. Foi antes o resultado voluntarista do esforço de alguns oficiais da armada – sobretudo Machado Santos, o “herói da Rotunda” – e de umas centenas de civis armados, que enfrentaram uma monarquia muito fragilizada por divisões internas, pelo descrédito de um rei jovem e inexperiente, que nunca se soube impor, e de forças armadas cuja fidelidade ao comando monárquico foi quase nula na hora do combate.

Foi assim ,de forma algo amadora e quase acidental, que os republicanos puseram fim a 750 anos de monarquia em Portugal, ao cabo de 48 horas de luta na Rotunda, no Tejo e na linha de Alcântara. Em todo o caso, o 5 de Outubro inaugurou o século XX português, fazendo do país, ao tempo, a segunda República moderna da Europa a seguir à francesa e consagrando uma forma de regime que, apesar da variação de conteúdo ao longo das décadas seguintes, é ainda aquela que hoje rege Portugal.

Com todas as virtudes e defeitos, Portugal tem uma República há cem anos.

1910 revisitado

Os sinais de que a mudança de regime podia estar eminente já eram visíveis nos diversos periódicos e foram-se adensando cada vez mais. Se é verdade que O Século, fundado pelo maçon Magalhães Lima,sempre se assumiu como uma espécie de porta-voz e defensor da causa republicana outros, como o concorrente Diário de Notícias foi-se rendendo, a pouco e pouco , à evidência de que os republicanos tinham uma influência política cada vez maior e as suas actividades não podiam ser ignoradas. No entanto, continuava a dar grande destaque à Família Real e à Coroa.

No dia 2 de Janeiro as Cortes reabriram com a presença do Rei D. Manuel II. Ambos os jornais deram largo espaço ao evento no dia seguinte mas ocupando grande parte da notícia com descrições detalhadas sobre o ambiente, o tempo, as presenças, o que levavam vestido, quem cumprimentavam, etc. Pouco espaço foi reservado ao discurso de D. Manuel, que mesmo assim reproduziram na íntegra. O Diário de Notícias não fez qualquer comentário, mas O Século expressou a sua opinião no título “O discurso da Côroa nem surpreende nem interessa …” Muito significativamente, ao lado o jornal colocou o anúncio a uma peça de teatro protagonizada pela actriz Ângela Pinto que se chamava “O Canto do Cisne”!

As lutas operárias passaram a ocupar cada vez mais espaço nos dois jornais de maior tiragem, ao ponto de terem direito a uma coluna diária. Reivindicações, protestos, greves, manifestações, as conquistas, tudo era noticiado assim como as festas, concertos e saraus que se organizavam a fim de angariar fundos para os grevistas que não tinham salário. Por vezes também podiam contar com a solidariedade internacional, seja na ajuda económica seja na presença de líderes sindicais que vinham apoiar as lutas do operariado português.

 “A excepção confirma a regra” e a vida operária não fugia ao ditado popular. Foi por exemplo o que aconteceu num domingo de Setembro de 1910 quando 900 operários da Real Fábrica de Louças de Sacavém se meteram num comboio especial com 17 carruagens para irem ao Estoril demonstrar a sua gratidão ao patrão, o industrial Jayme Gilman. O Diário de Notícias mostrava as fotografias do animado convívio entre o patrão e família com os seus operários.

Os problemas com a carestia de vida que a maioria da população enfrentava não escapavam à imprensa. Por exemplo, no fim de Março o Diário de Notícias destacava a o alto preço dos géneros e afirmava que “ a vida em Lisboa é bastante difícil e talvez haja poucas capitais da Europa onde seja tão dispendiosa, sobretudo em géneros de 1ª necessidade”.O jornal apontava o dedo aos açambarcadores e aos intermediários que faziam chegar os produtos aos consumidores, mais caros. E num tom crítico afirmava que para “acudir a todas estas fatalidades é que devem intervir os poderes públicos, para fazer leis, evitar fraudes, protegendo o comércio, a indústria e os consumidores”.

No fim de Abril decorreu no Porto o Congresso Republicano. A Imprensa foi autorizada a assistir e lá estiveram várias dezenas de jornalistas, muitos deles republicanos. O Partido Republicano assumiu o anti-clericalismo mas aceitou a proposta de Bernardino Machado segundo a qual a reacção clerical deveria obedecer a um plano muito ponderado de forma a evitar intolerâncias.

O Congresso decidiu também enviar Bernardino Machado, Magalhães Lima e José Relvas ao estrangeiro – Espanha, Inglaterra e Itália – para auscultar a recepção a uma República em Portugal. Entretanto, foi nomeada uma Comissão para colaborar mais activamente com a Carbonária e preparar a Revolução.

Enquanto os republicanos sonhavam com uma mudança e regime, a maioria da população andava muito nervosa com a passagem do Planeta Halley pela Terra, prevista – e concretizada – a 20 de Abril. Já se falava em “fim do mundo” e foi preciso que alguns mais esclarecidos – como Teófilo Braga – viessem explicar que podiam ficar descansados porque a passagem do Halley não teria qualquer consequência na Terra. Mas não deixou de ser tema de conversa e até inspirou anúncios e uma revista com 3 actos e 12 quadros que esteve em cena no Teatro Paraíso chamada “No Cometa”.

Já em 1910 os jornalistas se queixavam da falta de condições de trabalho no Congresso. Mas quando lhes foi vedado o acesso aos Passos Perdidos por causa das reclamações de alguns deputados, os representantes da imprensa pediram uma reunião com o Presidente, o Conde Penha Garcia. A conversa valeu a pena porque os jornalistas conseguiram a promessa de em breve lhes seria disponibilizada uma sala e outras concessões que “facilitem o desempenho da sua árdua tarefa”. No fim, o artigo do DN não se esquecia de referir que “aquele titular tinha sido, como sempre, extremamente amável com os representantes da imprensa”.

No seguimento de mais uma crise política, o Rei D. Manuel II convidou Teixeira de Sousa para formar governo e este aceitou. Ficou desde logo estabelecido que seriam convocadas eleições gerais para 28 de Agosto, que seriam as últimas da Monarquia Constitucional. O Partido Republicano Português ganhou em Lisboa, Setúbal e Beja elegendo catorze deputados.

Um mês depois, o PRP reuniu de emergência porque os seus membros desconfiavam que alguns espiões da monarquia tinham conseguido infiltrar a organização. E decidiram que a Revolução tinha que avançar quanto antes, apesar de não terem um plano. No dia 2 de Outubro voltaram a reunir na sua sede no largo de São Carlos e o Almirante Cândido dos Reis achou que era altura de agir. Mas no dia 3, um doente mental do Hospital de Rilhafoles assassinou o seu director Miguel Bombarda, que era o chefe civil da conspiração. Acto tresloucado ou assassinato político, o certo é que a moral dos republicanos baixou quando a notícia começou a ser espalhada.

Na madrugada de dia 4 eclodiu a revolução e aproveitando a presença no Tejo dos cruzadores Adamastor e S. Rafael que tinham sido tomados, os revolucionários bombardearam o Rossio onde estava a Guarda Municipal fiel à Monarquia e o Palácio das Necessidades, onde estava o Rei. Os republicanos esperavam a adesão de muitas unidades militares da guarnição de Lisboa mas apenas três responderam à chamada e Cândido dos Reis, desesperado, suicidou-se. Concentrados na Rotunda, os revolucionários combatiam os soldados leais a D. Manuel, liderados por Paiva Couceiro mas a notícia de que a Guarda Municipal iria “carregar” levou muitos militares a fugir. Ficaram pouco mais de uma centena com cerca de cinquenta civis, liderados por Machado Santos mas algumas horas depois já tinham ao seu lado quase 1.500 soldados que tinham desertado.

E acabou por ser um “lapso” que levou a que a República fosse proclamada mais cedo: ao fim da madrugada o representante da Alemanha pediu um cessar – fogo para permitir a evacuação dos alemães. Os soldados no Rossio hastearam uma bandeira branca que a população interpretou como um sinal de rendição. E pouco depois José Relvas fazia o anúncio da varanda da Câmara de Lisboa.

Nos dias seguintes a República foi sendo proclamada pelo resto do país pelo telefone. Curiosamente já tinha sido proclamada logo no dia 4 nos concelhos de Almada, Barreiro, Seixal e Montijo.

No dia 6 a Família Real embarcou no iate Amélia na praia da Ericeira com destino ao exílio.

Entretanto o Governo Provisório tomou posse e as primeiras medidas adoptadas visaram a Igreja: por decreto foram encerradas as casas religiosas e expulsos os jesuítas; o ensino religioso foi abolido das escolas e os membros do clero começaram a sofrer perseguições e maus – tratos que culminariam com a aprovação da Lei da Separação do Estado das Igrejas em Abril do ano seguinte.

Um dos primeiros países a reconhecer a República do Brasil. O seu Presidente, Marechal Hermes da Fonseca, encontrava-se cá, em visita oficial a convite de D. Manuel II e acabou por testemunhar todos os acontecimentos a bordo do cruzador S. Paulo, ancorado no Tejo.

Os confrontos nestes dias de Revolução provocaram vários mortos e feridos. E como era hábito, os jornais lideravam campanhas de solidariedade… neste caso, o Diário de Notícias organizou uma campanha de fundos “a favor das vítimas sobreviventes da mudança de regime”.

Por outro lado os Armazéns do Chiado publicaram um anúncio diferente do habitual e fizeram saber que “nunca nada pediram à Monarquia e também nada pedirão à República. E decidiram pagar a “férea” semanal a todo os seus 500 funcionários como se não tivesse havido interrupção do trabalho por causa dos tumultos. Além disso ainda ofereceram um cheque de 300 mil reis para ajudar as famílias dos combatentes mortos ou feridos.

A primeira greve da República começou no dia 25 de Outubro e foi a dos carroceiros que lutavam por melhoramentos salariais. Eusébio Leão foi um dos mediadores; o segundo foi a Associação dos Lojistas, que era muito prejudicada com o conflito. Ao fim de três dias estava tudo resolvido.

No dia 15 de Novembro a CARRIS deu início a uma vaga de greves que se prolongariam por muito tempo. Três semanas depois o Governo faria um decreto em que restringia o direito à greve e que levou os operários a apelidá-lo de “decreto burla”.

Depois de avisar que dia 1 de Novembro não era dia santo nem feriado, no dia 13 o Governo decretou que daí para a frente existiriam apenas 5 feriados: 1 de Janeiro consagrado á fraternidade universal; 31 de Janeiro, aos mártires da República; 5 de Outubro, pelos heróis da República; 1 de Dezembro, consagrado à autonomia da Pátria Portuguesa e 25 de Dezembro, dedicado à Família (mas que consagra o Casamento Civil e o Divórcio).

No dia 1 de Dezembro realizou-se a primeira festa da República, dedicada à Bandeira Nacional. Depois de muita discussão foi decidido que seria verde e vermelha com a esfera armilar em amarelo e os escudos. Apesar da “enfadonha chuva” milhares de pessoas participaram nas manifestações.

Este foi ainda o ano em que foi lançada uma nova revista que se assumia como o órgão oficial do movimento renascença Portuguesa: A Águia. Fazia a apologia do ideal e dos valores nacionalistas e foi nas suas páginas que se leram, pela primeira vez, os ensaios de Fernando Pessoa. Mas teve outros colaboradores com diversas tendências literárias, como Teixeira de Pascoais, Veiga Simões e Augusto Santa Rita. Como curiosidade refira-se que apesar de quase 75% da população portuguesa ser analfabeta por esta altura Portugal tinha cerca de 500 publicações periódicas, entre jornais e revistas, o que o colocava ao nível dos países mais desenvolvidos da Europa

domingo, 3 de outubro de 2010

100 Escudos - Chapa 9 - Fernando Pessoa


Dimensões: 149 x 75 mm, incluindo as margens da nota.
Emissões: Primeira emissão com as seguintes datas:
                 16 de Outubro de 1986
                 12 de Fevereiro de 1987
                 12 de Fevereiro de 1987 prefixo fil,
                 vendida em enelope c/selo comemorativo
                 3 de Dezembro de 1987
                 26 de Maio de 1988
                 24 de Novembro de 1988
Cor: Azul e amarelo-ocre. No verso, verde-água e amarelo-ocre.
A frente desta nota é ilustrada pela efígie de Fernando Pessoa
Fernando António Nogueira Pessoa
Retrato de Fernando Pessoa em 1914

Fernando Pessoa 
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre


Fernando António Nogueira Pessoa
Nascimento: 13 de Junho de 1888 Lisboa
Morte: 30 de novembro de 1935 (47 anos) Lisboa
Nacionalidade: português(a)
Ocupação: Poeta e escritor
Movimento literário: Modernismo
Principais trabalhos: Mensagem, Livro do Desassossego
Profissão: Tradutor de correspondência comercial e Contabilista

É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luís de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo".[1]

Por ter crescido na África do Sul, para onde foi aos sete anos em virtude do casamento de sua mãe, Pessoa aprendeu a língua inglesa. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa dedicou-se também a traduções desse idioma.

Ao longo da vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial. Foi também empresário, editor, crítico literário, activista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente".

Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I don't know what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará").

Série Seguida - Notas NOVAS


«Fernando Pessoa em flagrande delitro»
«Fernando Pessoa em flagrande delitro»
Dedicatória na fotografia que ofereceu à namorada Ophélia Queiroz em 1929.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

100 Escudos / Bocage / Chapa 8 - Ouro


100 Escudos - Chapa 8 - Ouro

Nota NOVA

Dimensões: 149 x 74 mm incluindo as respectives margens.

Emissões: 231.449.000 notas com as seguintes datas:
02 de Setembro de 1980
24 de Fevereiro de 1981
31 de Janeiro de 1984
12 de Março de 1985
04 de Junho de 1985

Primeira emissão, 03 de Dezembro de 1982.
Cor: Azul e castanho acizentado.
A frente desta nota é ilustrada pelo retrato do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.
No verso, uma gravura do Rossio, em Lisboa.

Serie seguida / NOVAS

Manuel Maria Barbosa du Bocage

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage (Setúbal, 15 de Setembro de 1765 — Lisboa, 21 de Dezembro de 1805) foi um poeta português e, possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano. Embora ícone deste movimento literário, é uma figura inserida num período de transição do estilo clássico para o estilo romântico que terá forte presença na literatura portuguesa do século XIX.


Era primo em segundo grau do zoólogo José Vicente Barbosa du Bocage.

Auto-retrato

Retrato gravado a buril e água-forte por Joaquim Pedro de Sousa
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só memento,
E somente no altar amando os frades,
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.

-- Bocage
------------------------------------------------


Bocage retratado em Painel de Azulejo

-------------------------------------------------
Notas com ligeira dobra central, praticamente NOVAS

------------------------------------------------

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

100 Escudos Ch.7(Camilo) - Série seguida


100 Escudos Chapa 7 (Camilo) - Serie seguida
Lisboa, 30 de Novembro de 1965
Notas NOVAS!

Camilo Castelo Branco 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Pseudónimos
Entre 1851 e 1890, e durante quase 40 anos, escreveu mais de duzentas e sessenta obras, com a média superior a 6 por ano, redigidas à pena, logo sem qualquer ajuda mecânica. Prolífico e fecundo escritor deixa obras de referencia na literatura lusitana.
Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da língua portuguesa. De entre os vários romances, deixou um legado enorme de textos inéditos, comédias, folhetins, poesias, ensaios, prefácios, traduções e cartas – tudo com assinatura própria ou os menos conhecidos pseudónimos tais como:

Manoel Coco
Saragoçano
A.E.I.O.U.Y
Árqui-Zero
Anastácio das Lombrigas[

Principais Obras de camilo Castelo Branco
  • Anátema (1851)
  • Mistérios de Lisboa (1854)
  • A Filha do Arcediago (1854)
  • Livro negro de Padre Dinis (1855)
  • A Neta do Arcediago (1856)
  • Onde Está a Felicidade? (1856)
  • Um Homem de Brios (1856)
  • Lágrimas Abençoadas (1857)
  • Cenas da Foz (1857)
  • Carlota Ângela (1858)
  • Vingança (1858)
  • O Que Fazem Mulheres (1858)
  • O Morgado de Fafe em Lisboa (Teatro, 1861)
  • Doze Casamentos Felizes (1861)
  • O Romance de um Homem Rico (1861)
  • As Três Irmãs (1862)
  • Amor de Perdição (1862)
  • Memórias do Carcere (1862)
  • Coisas Espantosas (1862)
  • Coração, Cabeça e Estômago (1862)
  • Estrelas Funestas (1862)
  • Cenas Contemporâneas (1862)
  • Anos de Prosa (1863)
  • Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado (1863)
  • O Bem e o Mal (1863)
  • Estrelas Propícias (1863)
  • Memórias de Guilherme do Amaral (1863)
  • Agulha em Palheiro (1863)
  • Amor de Salvação (1864)
  • A Filha do Doutor Negro (1864)
  • Vinte Horas de Liteira (1864)
  • O Esqueleto (1865)
  • A Sereia (1865)
  • A Enjeitada (1866)
  • O Judeu (1866)
  • O Olho de Vidro (1866)
  • A Queda dum Anjo (1866)
  • O Santo da Montanha (1866)
  • A Bruxa do Monte Córdova (1867)
  • A doida do Candal (1867)
  • Os Mistérios de Fafe (1868)
  • O Retrato de Ricardina (1868)
  • Os Brilhantes do Brasileiro (1869)
  • A Mulher Fatal (1870)
  • A Infanta Capelista (1872) (conhecem-se apenas 3 exemplares deste romance porque D.Pedro II pediu a Camilo para não o publicar, uma vez que versava sobre um familiar da Família Real Portuguesa e da Família Imperial Brasileira)
  • O Carrasco de Victor Hugo José Alves (1872)
  • O Regicida (1874)
  • A Filha do Regicida (1875)
  • A Caveira da Mártir (1876)
  • Novelas do Minho (1875-1877)
  • Eusébio Macário
  • A Corja
  • A senhora Rattazzi (1880)
  • A Brasileira de Prazins
  • O Arrependimento
  • O Assassino de Macario
  • D. Antonio Alves Martins: bispo de Viseu
  • Folhas Caídas
  • O General Carlos Ribeiro 
  • A Gratidão 
  • Luiz de Camões 
  • Sá de Miranda
  • Salve, Rei!
  • Suicida
  • O vinho do Porto
  • Voltareis ó Cristo?
  • Theatro comico: A Morgadinha de Val d'Amores; Entre a flauta e a Viola
  • A espada de Alexandre
  • O Condemnado: drama / Como os anjos se vingam: drama

Camilo: Realismo ou Romantismo?
Terá sido Camilo Castelo Branco, Realista ou Romântico? A sua obra é predominantemente romântica isso parece incontestável, no entanto não o é totalmente.

Camilo gostaria de se situar acima das escolas literárias. No entanto os modelos clássicos vão ter sempre peso na sua produção literária, mas, também se deixa impressionar pela literatura misteriosa e macabra de Ann Radcliffe. Foi imensamente influenciado por Almeida Garrett, no entanto a fidelidade à linguagem e aos costumes populares ao cheiro do torrão (como aponta Jacinto do Prado Coelho) vão permanecer como uma das suas maiores qualidades. A Crítica tem apontado que se por um lado Camilo nos enredos das suas novelas, com as suas peripécias mais ou menos rocambolescas, está claramente numa filiação romântica por outro lado nas explicações psicológicas, na maneira como analisa os sentimentos e acções das personagens, pelas justificações e explicações dos acontecimentos, pela crítica a determinado tipo de educação, não pode ser considerado simplesmente como romântico.

Jacinto do Prado Coelho considera-o “ideologicamente flutuante, Camilo mantém-se um narrador de histórias românticas ou romanescas com lances empolgantes e situações humanas comoventes” e também diz que “O romantismo de Camilo é um romantismo em boa parte dominado, contido, classicizado”, e que há ao “lado do seu alto idealismo romântico a viril contenção da prosa, um bom-senso ligado às tradições e a certo cânones clássicos, um realismo sui generis, de vocação pessoal que parece na razão directa da autenticidade do seu romantismo.

Eça de Queiroz publica a primeira versão de O Crime do Padre Amaro, já depois da sua exposição nas Conferências do Casino acerca do Realismo como nova expressão da arte. Isso faz com que Camilo, de certa maneira sentindo-se a perder terreno para o único prosador que lhe podia ser rival, envereda em duas novelas Eusébio Macário e A Brasileira de Prazins por tentar ser mais realista. E o que é que é mais extremado que o Realismo? O Naturalismo. O resultado é de um certo efeito cómico porque Camilo, com a sua maneira de escrever particular, não se contém e acaba por fazer uma paródia do Naturalismo.

No prefácio de Eusébio Macário, Camilo afirma que não tentou ridicularizar a escola Realista, e alega que: “tenho sido realista sem o saber. Nada me impede de continuar”, e ainda que “Eu não conhecia Zola; foi uma pessoa da minha família que me fez compreender a escola com duas palavras: “É a tua velha escola com uma adjectivação de casta estrangeira, e uma profusão de ciência (...) Além disso tens de pôr a fisiologia onde os românticos punham a sentimentalidade: derivar a moral das bossas, e subordinar à fatalidade o que, pelos velhos processos, se imputava à educação e à responsabilidade” compreendi e achei eu, há vinte e cinco anos, já assim pensava, quando Balzac tinha em mim o mais inábil dos discípulos.”

Portanto: Camilo tenta apanhar o comboio da nova escola Realista, e fá-lo de uma maneira que não é isenta de chacota.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

100 Escudos Camilo Castelo Branco - 5 x Assinaturas diferentes


5 x Assinaturas diferentes - NOVAS!

Biografia de Camilo Castelo Branco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Camilo Castelo Branco teve uma vida atribulada, passional e impulsiva. Uma vida tipicamente romântica.

Camilo Castelo Branco, primeiro visconde de Correia Botelho, nasceu em Lisboa, no Largo do Carmo, a 16 de Março de 1825.

De uma família da aristocracia de província, era filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, nascido na casa dos Correia Botelho em 1778, que teve uma vida errante entre Vila Real, Viseu e Lisboa, tomando-se de amores por Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira, com quem não casou, mas de quem teve os seus dois filhos. Camilo foi assim perfilhado por seu pai em 1829, como "filho de mãe incógnita".

Foi órfão de mãe quando tinha um ano de idade e de pai aos dez anos, o que lhe criou um carácter de eterno insatisfeito com a vida. Estando órfão, foi recebido por uma tia de Vila Real, e depois por uma irmã mais velha, Carolina Rita Botelho Castelo Branco, em Vilarinho de Samardã, em 1839, recebendo uma educação irregular através de dois padres de província.


O jovem Camilo retratado por Botelho

Na sua adolescência formou-se lendo os clássicos portugueses e latinos, literatura eclesiástica e em contacto com a vida ao ar livre transmontana.

Com apenas dezasseis anos (1841), Camilo casa com Joaquina Pereira de França e instala-se em Friúme (Ribeira de Pena). O casamento precoce parece ter sido resultado de uma mera paixão juvenil, não tendo resistido muito tempo. No ano seguinte prepara-se para ingressar na Universidade, indo estudar com o Padre Manuel da Lixa, em Granja Velha.

O seu carácter instável e irrequieto leva-o a amores tumultuosos (Patrícia Emília, a freira Isabel Cândida).

Ainda a viver com Patrícia Emília de Barros, Camilo publicou n'O Nacional, correspondências contra José Cabral Teixeira de Morais, governador civil. Devido a esta desavença é espancado pelo «Olhos-de-Boi», capanga do governador. As suas irreverentes correspondências jornalísticas valeram-lhe, em 1848, nova agressão a cargo de Caçadores 3. Camilo abandona Patrícia nesse mesmo ano, fugindo para casa da irmã, residente agora em Covas do Douro.

Camilo tenta então o curso de Medicina no Porto que não conclui, optando depois por Direito. A partir de 1848 faz uma vida de boémia repleta de paixões, repartindo o seu tempo entre os cafés e os salões burgueses, dedicando-se entretanto ao jornalismo.

Apaixona-se por Ana Plácido, e quando esta se casa, tem, de 1850 a 1852, uma crise de misticismo, chegando a frequentar o seminário que depois abandona. Ana Plácido tornara-se mulher de um negociante de seu nome, Pinheiro Alves, um brasileiro que o inspira como personagem em algumas das suas novelas, muitas vezes com carácter depreciativo. Seduz e rapta Ana Plácido e, depois de algum tempo a monte, são capturados pelas autoridades e depois julgados. Naquela época o caso emocionou a opinião pública pelo seu conteúdo tipicamente romântico do amor contrariado, que se ergue à revelia das convenções e imposições sociais. Presos na cadeia da relação do Porto, escreveu Memórias do Cárcere, tendo conhecido o famoso delinquente Zé do Telhado. Depois de absolvidos do crime de adultério, Camilo e Ana Plácido passam a viver juntos, contando ele trinta e oito anos de idade.

Entretanto, Ana Plácido tem um filho, teoricamente do seu antigo marido, ao que se somam mais dois de Camilo. Com uma família tão numerosa para sustentar Camilo vai escrever a um ritmo alucinante.

Quando o ex-marido de Ana Plácido, falece em 1863, o casal vai viver para a sua casa, em São Miguel de Seide.

Em 1870 vai viver para Vila do Conde motivado por problemas de saúde, aí se mantendo até 1871. Foi em Vila do Conde que escreveu a peça de teatro "O Condenado", bem como inúmeros poemas, crónicas, artigos de opinião e traduções. A peça "O Condenado" é representada no Porto em 1871. Outras obras de Camilo estão associadas a Vila do Conde. Na obra "A Filha do Arcediago", relata a passagem de uma noite do Arcediago com um exército numa estalagem, conhecida pela Estalagem das Pulgas. Essa estalagem pertencera outrora ao Mosteiro de São Simão da Junqueira, e situa-se no lugar Casal de Pedro, freguesia da Junqueira. Camilo dedicou ainda o romance "A Engeitada” a um ilustre vilacondense seu conhecido, o Dr. Manuel Costa.

Camilo Castelo Branco vinha regularmente à Póvoa de Varzim entre 1873 e 1890, perdendo-se no jogo e escrevendo parte da sua obra no antigo Hotel Luso-Brazileiro junto do Largo do Café Chinês. Camilo reunia-se com personalidades de notoriedade intelectual e social, como o pai de Eça de Queirós, José Maria d'Almeida Teixeira de Queirós, magistrado e par do reino, o poeta e dramaturgo poveiro Francisco Gomes de Amorim, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, António Feliciano de Castilho, entre outros. Sempre que vinha à Póvoa, convivia regularmente com o Visconde de Azevedo no Solar dos Carneiros.

Francisco Peixoto Bourbon conta que Camilo, na Póvoa, "tendo andado metido com uma bailarina espanhola, cheia de salero, e tendo gasto, com a manutenção da diva, mais do que permitiam as suas posses, acabou por recorrer ao jogo na esperança de multiplicar o anémico pecúlio e acabou, como é de regra, por tudo perder e haver contraído uma dívida de jogo, que então se chamava uma dívida de honra." A 17 de Setembro de 1877, Camilo viu morrer na Póvoa o seu filho predilecto Manuel Plácido, do primeiro casamento com Ana Plácido, de 19 anos, que foi sepultado no cemitério do Largo das Dores.

Camilo era conhecido pelo mau feitio. Na Póvoa mostrou outro lado. António Cabral nas páginas d'«O Primeiro de Janeiro» de 3 de Junho de 1890, conta: "No mesmo hotel em que estava Camilo, achava-se um medíocre pintor espanhol, que perdera no jogo da roleta o dinheiro que levava. Havia três semanas que o pintor não pagava a conta do hotel, e a dona, uma tal Ernestina, ex-actriz, pouco satisfeita com o procedimento do hóspede, escolheu um dia a hora do jantar para o despedir, explicando ali, sem nenhum género de reservas, o motivo que a obrigava a proceder assim. Camilo ouviu o mandado de despejo, brutalmente dirigido ao pintor. Quando a inflexível hospedeira acabou de falar, levantou-se, no meio dos outros hóspedes, e disse: - a D. Ernestina é injusta. Eu trouxe do Porto cem mil réis que me mandaram entregar a esse senhor e ainda não o tinha feito por esquecimento. Desempenho-me agora da minha missão. E puxando por cem mil réis em notas entregou-as ao pintor. O Espanhol, surpreendido com aquela intervenção que estava longe de esperar, não achou uma palavra para responder. Duas lágrimas, porém, lhe deslizaram silenciosas pela faces, como única demonstração de reconhecimento".

Em 1885 é-lhe concedido o título de visconde de Correia Botelho e posteriormente, a 9 de Março de 1888 casa-se finalmente com Ana Plácido.

Camilo passa os últimos anos da sua vida ao lado de Ana Plácido, não encontrando a estabilidade emocional por que ansiava. As dificuldades financeiras, e os filhos dão-lhe enormes preocupações: considera Nuno irresponsável e Jorge sofre de uma doença mental.

A progressiva e crescente cegueira (causada pela sífilis), impede Camilo de ler e de trabalhar capazmente, o que o mergulha num enorme desespero.

Camilo Castelo Branco, depois da consulta a um oftalmologista que lhe confirmara a gravidade do seu estado, em desespero desfere um tiro de revólver na têmpora direita, às 15h15 de 1 de Junho de 1890, acabando por morrer às 17h00 desse mesmo dia.

Residiu também em Vila do Conde.



sábado, 18 de setembro de 2010

100 Escudos --- Chapa 7 --- Ouro



Dimensões: 149 x 74 mm incluindo as respectivas margens.
Emissões: 30 de Novembro de 1965
                20 de Setembro de 1978
.

Primeira emissão, 29 de Abril de 1968.
Ultima emissão, 18 de fevereiro de 1981
.
A frente desta nota é ilustrada pelo retrato do romancista Camilo Castelo Branco. No verso, uma vista da cidade do Porto.
.

12 Notas de 100 Escudos --- Chapa 7 
12 Assinaturas diferentes

Estado de conservação: Quase Novas, apenas uma ligeira "dobra" central.
.
Camilo Castelo Branco
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
.
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Lisboa, 16 de Março de 1825 — São Miguel de Seide, 1 de Junho de 1890) foi um escritor português. Camilo foi romancista português, além de cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor.

Teve uma vida atribulada que lhe serviu muitas vezes de inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Apesar de ter de escrever para um público, sujeitando-se assim aos ditames da moda, conseguiu ter uma escrita muito original.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bandeira de Portugal


A Bandeira de Portugal é um dos símbolos nacionais. O modelo da actual bandeira foi aprovado por decreto no. 141 da Assembleia Nacional Constituinte de 19 de Junho de 1911, após ser selecionado, entre várias propostas, por uma comissão cujos membros incluíam Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Abel Botelho, sendo as suas dimensões e descrição mais pormenorizada, definidas pelo decreto de 30 de Junho de 1911. No entanto, já desde a proclamaçâo da República Portuguesa, a 5 de Outubro de 1910 que eram usadas bandeiras provisórias semelhantes ao modelo que viria a ser aprovado oficialmente.

Características
De acordo com o Decreto nº 150, de 30 de Junho de 1911, a Bandeira de Portugal é um retângulo bipartido verticalmente em duas cores fundamentais, verde escuro e escarlate, ficando o verde para o lado da tralha (lado esquerdo, quando representada graficamente). Ao centro, e sobreposto à união das duas cores, terá o escudo das Armas de Portugal, orlado de branco e assentando sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro. O comprimento da Bandeira de Portugal é uma vez e meia a altura da tralha (proporções: 2:3). A divisória entre as duas cores fundamentais é feita de modo a que fiquem 2/5 do comprimento total ocupados pelo verde e os 3/5 restantes pelo vermelho. O emblema central ocupa metade da altura da tralha, ficando equidistante das orlas superior e inferior.

As cores, especialmente o verde, não eram tradicionais na composição da bandeira e representou uma mudança radical de inspiração republicana que rompeu o vínculo que sempre estiveram estreitamente associados com as armas reais. Desde a insurreição republicana falhada em, 31 de Janeiro, 1891 o vermelho e verde tinha sido associados como as cores do Partido republicano Português e os seus movimentos associados, cuja proeminência política continuou crescendo até atingir um período de auge na sequência da revolução republicana de 5 de outubro de 1910. Nas décadas seguintes, essas cores eram popularmente propagandeada como representando a esperança da nação (verde) e sangue (vermelho) daqueles que morreram em sua defesa, de forma patriótica. As cores da bandeira não estão especificadas com exactidão em nenhum documento oficial.
Concepção atual do escudo Português. Desde 1143, é exibido na bandeira nacional, com diferentes formatos e complexidade.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

domingo, 12 de setembro de 2010

A Revolução Republicana de 1910


Como se fez a revolução (Mantido o texto original)
Fonte: Eu Sei Tudo - Outubro de 1918 (oito anos após o facto histórico)

O Sr. José Relvas, fazendo a proclamação da Republica das janellas da Camara Municipal de Lisboa no dia 5 de outubro de 1910.


"Narremos resumidamente como se fez a revolução. O movimento começou pouco depois da 1 hora da manhã de ante-hontem, pela sublevação do regimento de infantaria 16. O povo entrou no quartel e sahiu acompanhando os soldados até Campolide, onde a artilharia 1 adheriu aos revoltosos. D´ahi dirigiram-se estes para a Rotunda. Entretanto revoltavam-se as guarnições dos navios de guerra.

A´s 10 horas mandaram os revoltosos da Rotunda uma vedêta á Praça dos Restauradores, propondo ás tropas fieis que se rendessem, pois em caso contrario a artilharia descarregava sobre ellas. A proposta não foi acceita; a vedêta voltou á Rotunda.

Logo que alli chegou, iniciaram os revoltosos um mortifero tiroteiro, que victimou dezenas de soldados fieis.

As carroças de pão e leite que passavam na Rotunda eram obrigadas a descarregar os referidos generos, afim de serem augmentadas as provisões de bocca dos revoltosos.

No acampamento d´estes distribuiram-se armas e munições aos populares que as requisitavam. Cada um que o fazia era equipado com uma carabina, um revólver e um punhal.

As baterias de Queluz, que de tarde vieram em soccorro das forças fieis, foram derrotadas. O combate prolongou-se pela noute adeante.

As tropas monarchicas renderam-se ás oito, e meia da manhã de hontem.

A´s 9 horas foi proclamada a Republica na Camara Municipal.

O EMBARQUE. No dia da proclamação da Republica um fragil batel levava da praia da Ericeira para bordo do "yacht Amelia" a familia real portugueza que encontrava um refugio n´aquellas pobres taboas d´um barco tripulado por descendentes dos marinheiros da descoberta e que por sua vez entravam na Historia.


O barco "Bomfim", que levou o rei D. Manuel da praia da Ericeira para o navio do exilio


OS MARINHEIROS DO BARCO "BOMFIM" NO QUAL O REI D. MANUEL FOI PARA BORDO DO YACHT " D.AMELIA"
Da esquerda para a direita: Arraes João Carriço, remadores José Ramalho, Antonio Maria Pachita, José Sardo, Jeronimo Carramona, Basilio Casado Junior e Antonio Marques.


Uma photographia de inestimavel valor
NA PRAIA DA ERICEIRA EM 5 DE OUTUBRO, DIA DA PROCLAMAÇÃO DA REPUBLICA

A chegada da familia real, a sua comitiva ae varias pessoas ue a acompanharam até o momento do embarque nas canoas dos pescadores. A´frente do grupo: a rainha D. Maria Pia pelo braço do sr. conde de Mesquitella; senhoras das familias Castro Pereira, e Nuno Pombal, srs. Serrão Franco, conde de Marim, rainha D. Amelia, conde de Sabugosa, D. Manuel II, D. Maria Francisca de Menezes, os srs. José de Mello (Sabugosa), Waddington, tenente Feijó Teixeira, marquez de Fayal, Vellez Caldeira, condessa de Figueiró, marqueza d´Unhão e duas criadas. O criado particular do rei deposto, sr. Kukembuck Villar, estava em Caxias quando começou o bombardeio no palacio das Necessidades e correu a apresentar-se a D. Manuel II, que o levou comsigo para o exilio.


O aspecto da cidade

Impossivel é descrever o aspecto de Lisboa desde o inicio da revolução. Tentemos, porém, reproduzir a impressão que nos causou o que vimos.

Na madrugada do dia 4, as ruas estavam quasi desertas, e os poucos que as atravessavam faziam n´o apressados, interrogando um e outro sobre o que se passava, emquanto lá longe, no rio, troava a artilharia, e lá em cima, em Campo d´Ourique e em Campolide soavam as descargas de fusilaria.

A´s 3 horas o fogo abrandou um pouco: - as tropas avançavam para a Rotunda.

A´s 5 horas e meia recomeçou o tiroteio. Na Avenida e em S. Pedro d´Alcantara travaram-se verdadeiras batalhas entre os revoltosos e a municipal.

A ´s 7 horas apresentava o Chiado um aspecto tragico. Não circulavam trens nem automoveis, e viam-se pouquissimas pessoas que buscavam noticias.

Começaram a saber se as primeira novidades. Os navios de guerra estavam revoltados e tinham hasteado, á excepção do D. Carlos, bandeiras republicanas.

Durante o dia o movimento não augmentou, e o aspecto da cidade tornava-se momento a momento mais tragico, emquanto a artilharia continuava troando, e a infantaria e o povo descarregavam sobre as tropas fieis que atacavam os revoltosos.

Perto das 5, quando se travou a batalha entre artilharia 1 e as baterias de Queluz, e os navios bombardearam o Palacio das Necessidades, todos se sentiam num campo de batalha, em que num momento podiam ser victimados.

Assim era realmente. A metralha atravessava toda a cidade.

Cahiu a noute. Houve um momento de socego. Perto das 10 da noute, o fogo recomeçou. As ruas estavam desertas. Só nos locaes do combate as tropas e os populares se batiam com denodo.

De manhã, ás oito horas, renderam-se as primeiras tropas. A´s 8 1/2 era arvorada a bandeira verde e vermelha no Castello e no Carmo.

Os navios de guerra deram uma salva de 21 tiros.

As ruas começaram a animar se. Percorriam-nas grupos de militares e paisanos armados dando vivas e palmas. Descemos até a BAixa. As granadas dos navios haviam deteriorado muitos predios. No pavimento havia algumas poças de sangue. No Rocio viam se em varios locaes destroços da batalha. As ambulancias da Cruz Vermelha cruzavam-se, acclamadas pela multidão.

Entrámos na Avenida. Ahi causara o con bate prejuizos maiores do que em parte alguma. Os candieiros da illuminação estavam partidos, postes de electricos e ramos de arvores jaziam por terra, as balas haviam feito brechas em muitos predios.

Pela rua central e pelas lateraes subiam grupos de populares empunhando bandeiras: - iam visitar o acampamento dos revoltosos.

Mas eis que da Rotunda dão por engano uma descarga. Os populares inermes e as mulheres fogem.

Grupos de militares e civis armados correm para a Rotunda - peito exposto ás balas. A fuzilaria cessa. Havia tres mortos e dezenas de feridos.

Durante todo o dia atravessaram a cidade grupos de revolucionarios paisanos armados e militares manifestando o seu regosijo. Gente desarmada quasi a não havia, vehiculos poucos transitavam e as lojas permaneciam fechadas.

Frente occidental da barricada armada por populares na Avenida da Liberdade


O sr. Antonio José d´Almeida, primitivo ministro do interior da Republica, chegando para tomar posse do Palacio Real das Necessidades



Uma das janellas do palacio das Necessidades estilhaçadas pelas balas dos navios revoltados

A´s duas horas foi distribuida uma proclamação do sr. dr. Eusebio Leão, governador civil de Lisboa, aconselhando ordem e respeito pelas pessoas e pela propriedade.

Pouco depois o ministro do interior dr. Antonio José d´Almeida atrvessou as ruas discursando e fazendo o povo jurar que se manteria tranquillo.

A´s 3 horas começaram as prisões.Era emocionante o espectaculo da passagem das escoltas de civis e militares através das ruas da cidade, em que todas as lojas estavam fechadas, onde ás janellas appareciam mulheres, tendo estampada ainda no rosto a angustia das noutes da Revolução.

A´noute começou rareando o movimento de revoltosos. Todos se haviam concentrado na Rotunda e suas immediações esperando um ataque annunciado de forças monarchicas commandadas pelo capitão de artilharia sr. Paiva Conceiro.

Alli passaram a noute, immersos em funda escuridão, pois apagaram as luzes dos candieiros da Rotunda e da Avenida, para tornarem mais difficil o podere-nós visar.

O inimigo não veio, e esta manhã muitos revoltosos voltaram para a baixa, prendendo então muitos policiais da judiciaria que eram conduzidos ao governo civil. Mais movimentada estava já então a cidade.

Ao meio dia foi estabelecido o policiamento feito por praças do exercito e estudantes militares. Deixaram então de circular os batalhões de paisanos marchando á vontade, e as ruas passaram a apresentar um aspecto menos ordeiro.


A fuga da familia real

Sobre esse doloroso incidente a illustração Portuguesa da semana seguinte publicou, com as photographias que reproduzimos, as seguintes linhas:

"A familia real estava na praia da Ericeira para embarcar na tarde de 5 de Outubro. Um piquete de cavallaria separava-a do povo que enchia o topo das ribas; os dignatarios, os ultimos fieis, acompanhavam os seus passos difficeis dobre a areia, senhoras de familias fidalgas seguiam n´uma desolação aquelle exodo da realeza e os pescadores, contractados de ha pouco, preparavam com vagares enervantes os barcos Navegador e Bomfim que a deviam levar a bordo do Amelia. Ninguem fallava; entrara nos cerebros a comprehensão do irremediavel. O rei, deposto n´essa manhã pela proclamação da republica, olhava tristemente o mar; a figura alta da rainha mãe destacava entre a sua derradeira côrte; D. Maria Pia guardava no seu rosto enrugado como um vislumbre da sua decisão de ha pouco no paço de Mafra ao dizer, como outr´ora D. Maria I, que não queria fugir. Pelas 3 horas começou o embarque; entraram núm barco o rei com os seus dignatarios n´outro as rainhas com o sequito, um remador da alfandega e o capitão do porto, sr. Bensabat.

Na praia o circulo limitado dos fieis dizia compungido os ultimos adeus. De bordo não se voltavam; os barcos vogavam na mancha loira do lindo sol que dourav a as aguas n´essa primeira tarde da republica. Por fim chegaram ao Amelia que não fundeara; o rei encostou se ao hombro d´um marinheiro, deu a mão a um arraes que saltara para a escada do portaló e d´ahi a pouco cahia nos braços de seu tio D. Afonso que o aguardava lá em cima. As rainhas tinham chegado tambem ao tombadilho, e quando o capitão do porto quiz entrar no barco real, D. Amelia exclamou: "Não. Não entras. Por tua causa e dos teus companheiros é que nós estamos aqui!"

O official desceu. Dentro em pouco o Amelia partia levando para o exilio o rei Manuel II pelas mesmas aguaes out´ora sulcadas pelos galeões de Manuel I, o Afortunado.